7 de abril de 2009

O conceito básico de Signo

O conceito básico de Signo:

Signo é uma coisa que representa uma outra coisa: seu objeto. Ele só pode funcionar como signo se carregar esse poder de representar, substituir uma outra coisa diferente dele. (Santaella, 1983:58)

A mesma autora, Santaella, em 2000, complementa a definição de Signo: “Defino um Signo como qualquer coisa que, de um lado, é assim determinada por um Objeto e, de outro, assim determina uma idéia na mente de uma pessoa, esta última determinação, que denomino o Interpretante do signo, é, desse modo, mediatamente determinada por aquele Objeto. Um signo, assim, tem uma relação triádica com seu Objeto e com seu Interpretante." (p.12)
(Santaella, L. A teoria geral dos signos: Como as linguagens significam as coisas. 2a ed. São Paulo: Pioneira, 2000)


De acordo com Peirce, há vários tipos de signos. Eles se diferenciam dependendo da relação entre os elementos que compõem um signo e de sua ação específica (ou semiose). Quando um signo diz respeito ao signo em si mesmo (primeiro elemento da tríade), pode ser classificado em quali-signo, sin-signo ou legi-signo. Quanto à relação de um signo com o seu objeto dinâmico, o signo pode ser classificado como ícone, índice e símbolo. Quanto à relação do signo com o(s) interpretante(s), o signo pode ser classificado como rema, dicente e argumento. Dada a complexidade dessa classificação feita por Peirce, para entendê-la é necessário realizar um estudo cuidadoso do assunto.

Porque e como a Semiótica pode me ajudar a compreender os fenômenos do mundo?

A fenomenologia ou doutrina das categorias tem por função desenredar a emaranhada meada daquilo que, em qualquer sentido, aparece, ou seja, fazer a análise de todas as experiências é a primeira tarefa a que a filosofia tem de se submeter. Ela é a mais difícil de suas tarefas, exigindo poderes de pensamento muito peculiares, a habilidade de agarrar nuvens, vastas e intangíveis, organizá-las em disposição ordenada, recolocá-las em processo. Trata-se, portanto, de um estudo que, suportado pela observação direta dos fenômenos, discrimina diferenças nesses fenômenos e generaliza essas observações a ponto de ser capaz de sinalizar algumas classes de caracteres muito vastas, as mais universais presentes em todas as coisas que a nós se apresentam.
Nessa medida, são três as faculdades que devemos desenvolver para essa tarefa:

1) a capacidade contemplativa, isto é, abrir as janelas do espírito e ver o que está diante dos olhos;
2) saber distinguir, discriminar resolutamente diferenças nessas observações;
3) ser capaz de generalizar as observações em classes ou categorias abrangentes. Embora Peirce tenha tentado estabelecer as categorias fenomenológicas de outras formas, considerando por exemplo, a análise material dos fenômenos, muitos anos de estudo vieram a revelar suas três categorias universais de toda experiência e todo pensamento. (Santaella, 1983: 33)


Utilizando a Semiótica na área da Comunicação:

Como a semiótica se presta ao estudo dos mais variados tipos de linguagem e significação, ela pode auxiliar quem atua nas diversas vertentes da comunicação todo e qualquer campo que envolva o estudo e/ou a aplicação de processos/técnicas comunicacionais. No campo da publicidade e propaganda é comum o uso da Semiótica na análise e desenvolvimento de marcas, por exemplo.

Nascimento e desenvolvimento da Semiótica de Pierce:

A 14 de maio de 1867, depois de três anos que, muito mais tarde, Peirce confessou, em várias cartas, terem sido os anos de maior esforço intelectual de toda sua vida, esforço mal interrompido sequer para o sono, vieram à luz, num artigo intitulado “Sobre uma nova lista de categorias”, suas três categorias universais de toda experiência e todo pensamento. Considerando experiência tudo aquilo que se força sobre nós, impondo-se ao nosso reconhecimento, e não confundindo pensamento com pensamento racional, pois este é apenas um dentre os casos possíveis de pensamento, Peirce conclui que tudo que aparece à consciência, assim o faz numa gradação de três propriedades que correspondem aos três elementos formais de toda e qualquer experiência.

Em 1867, essas categorias foram denominadas:
1) Qualidade,- 2) Relação e 3) Representação.

Algum tempo depois, o termo Relação foi substituído por Reação e o termo Representação recebeu a denominação mais ampla de Mediação. Mas, para fins científicos, Peirce preferiu fixar-se na terminologia de Primeiridade, Secundidade e Terceiridade, por serem palavras inteiramente novas, livres de falsas associações a quaisquer termos já existentes. (Santaella, 1983: 34.35).

Santaella, Lúcia. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense. 1998