9 de abril de 2009

2ª Categoria Fenomenológica: A Secundidade

Vamos entender agora como os fatos se corporificam na realidade. Ou seja, o nível da Secundidade:



Há um mundo real, reativo, um mundo sensual, independente do pensamento e, no entanto, pensável, que se caracteriza pela secundidade. Esta é a categoria que a aspereza e o revirar da vida tornam mais familiarmente proeminente. É a arena da existência cotidiana. Estamos continuamente esbarrando em fatos que nos são externos, tropeçando em obstáculos, coisas reais, factivas que não cedem ao mero sabor de nossas fantasias. Enfim: “a pedra no meio do caminho” de que nos fala Carlos Drummond de Andrade. (Santaella, 1998:47)”
Certamente, onde quer que haja um fenômeno, há uma qualidade, isto é, sua primeiridade. Mas a qualidade é apenas uma parte do fenômeno, visto que, para existir, a qualidade tem de estar encarnada numa matéria. A factualidade do existir (secundidade) está nessa corporificação material. A qualidade de sentimento não é sentida como resistindo num objeto material. É puro sentir, antes de ser percebido como existindo num eu. Por isso, meras qualidades não resistem. É a matéria que resiste. Por conseguinte, qualquer sensação já é secundidade: ação de um sentimento sobre nós e nossa reação específica, comoção do eu para com o estímulo. (Santaella, 1998:48)
Quando qualquer coisa, por mais fraca e habitual que seja, atinge nossos sentidos, a excitação exterior produz seus efeitos em nós. Tendemos a minimizar esse efeito porque a ele é, no mais das vezes, indiscernível. É o nosso estar como que natural no mundo , corpos vivos, energia palpitante que recebe e responde. No entanto, quaisquer excitações, mesmo as viscerais ou interiores, imagens mentais e sentimentos ou impressões, sempre produzem alguma reação, conflito entre esforço e resistência. Segue-se que em toda experiência, quer seja de objetos interiores ou exteriores, há sempre elemento de reação ou segundo, anterior à mediação do pensamento articulado e subseqüente ao puro sentir. (Santaella, 1998:50).



Santaella, Lúcia. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense. 1998